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Posted by: thawa
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For Rainbow 2020 e a valorização do cinema nacional

Festival For Rainbow, de Fortaleza (CE), aumentou esta edição participação de filmes nacionais como forma de incentivo

Nesta sexta (18/dez) chega ao fim a 14º edição do For Rainbow – Festival de Cinema e Cultura da Diversidade Sexual e de Gênero. O evento cearense, um dos principais com a temática LGBTI+ no Brasil, acontece desde 2006 ininterruptamente na capital cearense – este ano, por conta da pandemia, precisou revolucionar-se, assumindo formato inteiramente virtual. No campo da Mostra Cinematográfica Internacional de Cinema LGBTI+ o For Rainbow também inovou, ampliando o espaço dedicado às produções brasileiras: neste ano, 66% dos longas
e 72% dos curta-metragens que concorrem no Festival são produções nacionais.

A jornalista e cineasta Verônica Guedes, idealizadora do evento, explica que a mudança se deve à necessidade de valorizar o cinema local, em contexto de retrocessos institucionais e financeiros que a Agência Nacional do Cinema (Ancine) estaria vivenciando. “Estes últimos anos nós estamos assistindo, estarrecidos, a um desmonte da Ancine, ao mesmo tempo em que o cinema brasileiro ganha muito destaque e prêmios no exterior. Nós do For Rainbow entendemos que é necessário dar toda visibilidade possível ao nosso cinema e estamos fazendo isso dando mais espaço às produções nacionais dentro do festival”, pontua.

Investimento público
Victor Costa Lopes, diretor do documentário “As cores do divino”, longa cearense que concorre ao troféu Elke Maravilha nesta 14ª edição do For Rainbow, explica que o filme é fruto de edital promovido pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará (Secult), voltado exclusivamente para obras LGBTI+. Apesar de lamentar não ter havido outro chamamento público com a temática, Costa Lopes valoriza a iniciativa do Governo do Estado como investimento, não um “custo”.

“O audiovisual é algo que movimenta muito dinheiro e que está cada vez mais presente na vida das pessoas. A gente consome cada vez mais vídeos! Não só filmes, mas outros formatos de obras artísticas em audiovisual como feitos pelo celular, jogos eletrônicos… São conteúdos cada vez mais presentes na nossa vida e que, portanto, devem demandar uma atenção cada vez maior pelo Estado”, defende o cearense.

Quanto à participação de seu documentário no Festival, Costa Lopes acredita que “o For Rainbow é um movimento fundamental dentro do cenário brasileiro. Não só pelo espaço de exibição de filmes, mas também enquanto festival LGBTI+. Porque ele consegue aliar muito bem esse aspecto de denunciar as condições que muitas pessoas LGBTI+ vivem, mas também pelo aspecto propositivo que as discussões
paralelas oferecem.”

Para o presidente da Associação Cearense de Críticos de Cinema (ACECCINE), Arthur Gadelha, o financiamento a festivais de cinema, responsáveis por estimular a circulação de novos títulos, deve também ser percebido pela lógica do investimento. “A continuidade de festivais como o For Rainbow é de importância avassaladora pelos impactos econômicos que oferece. Dando visibilidade e debatendo essas obras (LGBTI+), o mercado da distribuição é atingido diretamente, dando possibilidades de que esses filmes possam alcançar ainda mais públicos, o que gera renda e manutenção socioeconômica dessa cadeia. É um ciclo que deveria ser naturalmente orgânico.”

Capital simbólico
Outra maneira que o Estado possui de fortalecer a produção cinematográfica é através da formação profissional. No Ceará, Fortaleza dispõe da Escola Porto Iracema das Artes, mantida pelo Governo do Estado e que oferece cursos gratuitos de formação na área. Bete Jaguaribe, diretora do equipamento situada nos arredores do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, chama a atenção para o fato de que, além da cadeia econômica diretamente envolvida, o cinema é responsável, também, pela construção de um patrimônio imaterial, cultural, que possui “peso extraordinário” no desenvolvimento de qualquer país.

“O campo audiovisual é a mais potente indústria econômica do mundo, exatamente porque opera com um recurso estratégico no contexto contemporâneo: o capital simbólico. O cinema ocupa as milhares de telas, que são hoje a principal esfera de mediação social. Mais do que nunca, o cinema é indispensável ao processo histórico de superação dos impasses vivenciados hoje pelo Brasil”, defende a gestora.

NÚMEROS

FOR RAINBOW 2020:
1.479 filmes inscritos para a edição 2020;
89 países enviaram filmes;
09 longas-metragens de 5 países selecionados;
32 curtas-metragens de 10 países selecionados;
07 dias de programação inteiramente gratuita.

CINEMA BRASILEIRO:
O audiovisual brasileiro movimentou em 2018, último dado disponibilizado pela Ancine, cerca de 26 bilhões e 700 milhões de reais. Em 2019 eram 1.922 agentes econômicos registrados em forma de pessoa jurídica no Brasil, que faturaram juntos mais de 328 milhões de reais – uma redução com relação ao faturamento registrado em 2016: R$ 362.780.504,93.

Author: thawa

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